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Terapia hormonal e libido: entenda os efeitos no desejo sexual

Por Dra. Elisabete Lilian Dair · Ginecologista · CRM-SP 92.38215 de julho de 20265 min de leitura
Ilustração editorial sobre equilíbrio hormonal e saúde feminina

A terapia hormonal é uma ferramenta importante em diferentes fases da vida da mulher e também no processo de transição de gênero. Um dos efeitos que costuma gerar dúvidas é a possível queda na libido — o desejo sexual. Para esclarecer o tema, a ginecologista Dra. Elisabete Lilian Dair, da Clínica Ginevita, explica o que acontece no corpo e como o acompanhamento adequado faz diferença.

Por que a libido pode diminuir

Segundo a especialista, trata-se de um efeito completamente esperado em mulheres trans que fazem terapia hormonal — baseada em estrogênio associado a bloqueadores de testosterona. A testosterona tem papel importante na libido tanto para homens quanto para mulheres.

"Quando reduzimos os níveis de testosterona, é comum haver uma queda no desejo sexual, principalmente nos primeiros três a seis meses. Isso não significa falha na terapia, e fatores emocionais ligados à transição também têm influência."

— Dra. Elisabete Lilian Dair

Cada pessoa responde de um jeito

Embora comum, o efeito não é uma regra geral e varia de pessoa para pessoa. Algumas relatam pouca ou nenhuma diferença. Em alguns casos, pode ocorrer até mesmo um aumento do desejo após o período de adaptação e com maior conforto em relação ao próprio corpo.

Fatores que influenciam o desejo

A Dra. Elisabete, docente da Universidade de Franca (Unifran), destaca que diversos fatores atuam em conjunto sobre a libido:

  • Níveis hormonais atingidos
  • Tipo e dose das medicações, especialmente os bloqueadores de testosterona
  • Idade e qualidade do sono
  • Saúde mental, ansiedade e depressão
  • Autoestima e aceitação corporal
  • Qualidade dos relacionamentos
  • Redução da disforia de gênero

Quando investigar

A investigação torna-se necessária quando a queda é persistente e causa sofrimento significativo. Outros sintomas, como fadiga extrema, alterações de humor e dor na relação sexual, também devem ser observados e relatados ao médico.

O papel do acompanhamento médico

Para reduzir o efeito, é essencial manter acompanhamento profissional, o que permite ajustar doses, revisar o esquema terapêutico e corrigir alterações hormonais sem comprometer os objetivos da paciente.

"O acompanhamento regular é essencial para garantir segurança e eficácia em todo o processo."

— Dra. Elisabete Lilian Dair

A médica orienta ainda que, antes mesmo de iniciar o tratamento, é importante ter noção desse possível efeito. Saber que essa possibilidade existe reduz a ansiedade e ajuda a entender que a adaptação faz parte do caminho.

"A sexualidade pode se transformar, e a libido pode ser diferente dependendo da fase da vida em que a mulher se encontra — seja cis, seja trans."

— Dra. Elisabete Lilian Dair

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